Atlas da Violência: Alagoas é o estado onde pessoas negras correm maior risco de serem assassinadas no Brasil
Brasil registra menor número de homicídios da série histórica Alagoas é o estado onde pessoas negras mais correm risco de serem assassinadas no Brasil, seg...
Brasil registra menor número de homicídios da série histórica Alagoas é o estado onde pessoas negras mais correm risco de serem assassinadas no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta terça-feira (26). De acordo com o levantamento, pessoas negras têm 23,3 vezes mais chance de serem vítimas de homicídio no estado do que pessoas não negras, o maior índice de desigualdade racial do país. Em seguida aparecem Amapá, com risco 16,7 vezes maior, e Sergipe, com 6,8 vezes mais chance de homicídio. De acordo com o levantamento, Alagoas registrou 1.121 homicídios de pessoas negras em 2024, com taxa de 48,9 mortes por 100 mil habitantes. Entre pessoas não negras, foram 19 homicídios, com taxa de 2,1 por 100 mil. LEIA TAMBÉM: Atlas da Violência: Brasil tem menor taxa de homicídios em 11 anos, mas ainda registra 42,6 mil casos Veja MAPA com os estados mais e menos violentos do Brasil, segundo o Atlas da Violência 1 assassinato a cada 16 minutos: 77% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras, diz Atlas da Violência 'Violência tem cor, território e classe social' Ao g1, a advogada criminalista e ativista social Sandra Gomes, fundadora do movimento Advogadas Negras de Alagoas, afirmou que os números não representam surpresa para os movimentos negros. “Os números apenas confirmam uma realidade denunciada há décadas. A violência em Alagoas tem cor, território e classe social”, disse. Segundo Sandra, a juventude negra continua sendo a principal vítima da violência e da ausência de políticas públicas. “A juventude negra segue sendo a principal vítima da ausência de políticas públicas, do racismo estrutural e da violência institucional. As vidas negras são mais vulnerabilizadas e menos protegidas pelo Estado”, afirmou. A integrante do Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô, Valnice Gomes, também afirmou que os dados refletem uma desigualdade histórica. “ Existe um genocídio da população negra e isso já é motivo de denúncias em organismos internacionais”, declarou. Segundo Valnice, o cenário é consequência do racismo estrutural e da falta de acesso da população negra a direitos básicos. “Quando junta o fator negritude com a pobreza presente nas periferias, nas grotas e nas favelas, temos uma população altamente vulnerabilizada e à mercê da violência”, disse. Ela também criticou a diferença na atuação do Estado em áreas periféricas e bairros mais ricos. “A segurança pública dada para a população negra não é a mesma oferecida à população não negra. Basta observar como a polícia chega nos bairros da elite e como chega nas periferias”, afirmou. Jovens e mulheres negras Pessoas negras têm 23,3 vezes mais chance de serem vítimas de homicídio no estado do que pessoas não negras. Divulgação/Secretaria Estadual de Cultura O Atlas também aponta que os jovens seguem como as principais vítimas da violência letal em Alagoas. Em 2024, o estado registrou 637 homicídios de pessoas entre 15 e 29 anos, com taxa de 82,1 mortes por 100 mil habitantes. Entre as mulheres negras, Alagoas registrou 70 homicídios em 2024, com taxa de 5,9 por 100 mil mulheres negras. Já entre mulheres não negras, houve um homicídio no período. Ainda segundo o levantamento, Alagoas teve 1.277 homicídios estimados em 2024, considerando também os chamados homicídios ocultos — mortes violentas classificadas inicialmente como causa indeterminada. A taxa estimada foi de 39,8 homicídios por 100 mil habitantes, a 4ª maior do país. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas para um posicionamento sobre os dados do Atlas da Violência e aguarda retorno.